Obesidade Mórbida

 

Obesidade Mórbida

A obesidade é o resultado de um acúmulo de gordura que excede os parâmetros físicos habituais. Geralmente quando um indivíduo apresenta mais de 20% do seu peso ideal, passa a ter risco de saúde, caracterizando a obesidade. Já a obesidade mórbida é caracterizada pelo índice de massa corpórea superior a 40 (IMC>40). Esse valor é calculado pela divisão do peso em quilogramas, pela altura em metros, elevada ao quadrado. Indivíduos com peso normal apresentam IMC de no máximo 25.

As causas são múltiplas e complexas. Apesar da idéia geral, o sobrepeso não é apenas resultado da ingestão excessiva de alimentos. Estudos recentes tem demonstrado que em muitos casos a causa da obesidade possui componente genético. Outros estudos demonstram que programas de exercício e dieta tem uma habilidade limitada em propiciar resultados efetivos a longo prazo, em casos de obesidade mórbida.

Atualmente, o controle do excesso de peso em pacientes com obesidade mórbida é algo no qual deve-se investir ao longo de toda a vida. Por isso é importante ressaltar que qualquer intervenção medica, incluindo tratamento cirúrgico, não deve ser considerada como cura. Na verdade é uma tentativa de reduzir os efeitos do excesso de peso e aliviar conseqüências físicas, emocionais e sociais da obesidade mórbida.

A obesidade mórbida traz consigo um risco aumentado de diminuição da expectativa de vida. Nos indivíduos nos quais o peso excede em dobro o peso ideal, o risco de morte precoce é dobrado em relação aos indivíduos não obesos. O risco de morte por hipertensão e diabetes é aumentado em cerca de 5 a 7 vezes em relação ao da população não obesa. Alem disso, os efeitos sociais, psicológicos e econômicos da obesidade mórbida são injustos e em muitos casos, devastadores.

As doenças freqüentemente associadas, isoladamente ou em conjunto, podem reduzir em muito a expectativa de vida. Entre elas, temos:

• Hipertensão arterial: o excesso de peso prejudica a função cardíaca normal, podendo originar graus variados de hipertensão, com as seguintes conseqüências: infarto cardíaco, acidente vascular cerebral (derrame) e insuficiência renal.

• Diabetes tipo 2: a obesidade determina o aumento da resistência à insulina que é responsável pela manutenção da taxa de açúcar no sangue. Com alterações dos níveis normais, todos os vasos sanguíneos do corpo passam a ficar doentes, podendo causar acidente vascular cerebral, infarto cardíaco, insuficiência renal e até amputação das pernas.

• Apnéia do sono: o acúmulo excessivo de gordura pelo corpo pode causar obstrução parcial da passagem de ar até os pulmões. Isso leva durante o sono, obstruções que levam o indivíduo a acordar para facilitar a passagem de ar. Esta perda parcial de sono resulta em sonolência diurna excessiva e sensação de cansaço crônico.

• Osteoartrite: o excesso de peso determina sobrecarga das artculações, acarretando dor e dificuldade de mobilização.

• Refluxo gastroesofágico: pacientes obesos, em geral, apresentam refluxo deácido do estômago em direção ao esôfago. Esta condição, quando crônica, tem uma série de conseqüências.

• Depressão: indivíduos com obesidade mórbida geralmente enfrentam uma série de preconceitos por parte da família e amigos, alem de constrangimentos em locais públicos, teatros, cinemas e ônibus. Este estado crônico pode levar a quadros de depressão.

• Incontinência urinária (perda de urina): pacientes com obesidade mórbida, do sexo feminino, podem apresentar incontinência ao tossir ou ao realizar algum esforço excessivo.

• Irregularidade menstrual: os ciclos menstruais, assim como o fluxo, geralmente apresentam irregularidades.

• Erisipelas de repetição: infecções nas pernas favorecidas pelo edema (inchaço) das pernas, geralmente presentes.

Alguns critérios são utilizados para caracterizar a obesidade mórbida:

• IMC > 40

• IMC > 35 com repercussões clínicas como hipertensão arterial e diabetes

• Inabilidade em adquirir peso saudável por um período de tempo razoável, mesmo com dieta medica supervisionada.

Atualmente portadores de obesidade mórbida possuem indicação de tratamento cirúrgico devido ao risco de vida proveniente da própria obesidade. A decisão quanto a um tratamento cirúrgico pode levar algum tempo, necessitando algumas consultas médicas. Pergunte ao seu médico de confiança a melhor opção de cirurgia para o seu caso ou até nomes de pacientes que já foram submetidos ao tratamento cirúrgico, a fim de compartilhar duvidas e experiências.

O peso final que um paciente irá adquirir apos o tratamento cirúrgico vai depender de alguns fatores que incluem: idade, peso antes da cirurgia e habilidade em se exercitar, seguir as orientações dietéticas e o acompanhamento psicológico. Em geral, logo apos a cirurgia o paciente perde peso rápido e continuamente até 18 a 24 meses apos o procedimento. A perda de peso, em geral, é de 80% do excesso de peso em 12 meses. Alem disso, portadores de diabetes ou hipertensão arterial tendem a reduzir os níveis de medicação e até não necessitar mais dela. Doenças associadas como depressão e apnéia do sono tendem a regredir e até desaparecer.

A tecnica cirurgica a ser empregada deve ser discutida caso a caso a fim de proporcionar o melhor resultado para cada paciente.

Atualmente, o tratamento cirurgico por via laparoscopica e com o auxilio da cirurgia robotica, tem proporcionado maior precisao cirurgica, menor nivel de sangramento, seguranca ao paciente, menor tempo de internacao hospitalar, menor dor pos-operatoria, recuperacao mais rapida das atividades habituais e rotineiras e melhor aspecto estetico.

Dr. Vladimir Schraibman

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciências Médicas pelo Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, Dr. Vladimir Schraibman é especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil). É médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo, além de integrar o corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Tem diversos artigos publicados em revistas e jornais científicos do Brasil e do exterior, além de intensa participação em congressos nacionais e internacionais.


Especialidades: